Letting It All Out

By Beitriz - setembro 17, 2018


Heyyy!

Decidi hoje escrever um post sobre algo diferente do que faço habitualmente, mas que, na minha opinião, é muito importante: vou ser transparente e vou escrever sobre mim e tudo o que eu acho que devo falar. Vai sair daqui um textão gigante e provavelmente não vão ter paciência para o ler, mas acho que será importante.
Eu sinto que, atualmente, as pessoas ficam agarradas às redes sociais à procura da perfeição e de como conseguir atingi-la. E quem já viu o meu Instagram e/ou o meu blogue possivelmente já deve ter pensado que sou uma pessoa cheia de confiança e dona de si própria. Até posso ser dona de mim própria (quem mais seria?), mas não sou de todo a pessoa com mais confiança.


Sempre fui uma criança bastante tímida e quieta, mas nem por isso deixei de ser feliz. No entanto, a entrada para a adolescência não é fácil para ninguém e não foi exceção para mim. Até aí eu não tinha a noção do meu corpo, o que também é normal porque era nova. Mas a verdade é que os adolescentes conseguem ser muito maus e não medem as palavras (se bem que também há adultos assim, mas pronto). Confesso que foi uma altura de muito sofrimento porque eu era muito magrinha e também não era muito bonita e os meus colegas começaram a gozar comigo por isso. À conta disso, eu comecei a pensar em estratégias que fizessem remediar a situação. Eu queria que parassem porque era realmente muito mau. Fizeram com que eu sentisse vergonha do meu corpo e diziam que eu devia comer mais, apesar da comida que eu comia não ser nenhum problema, eu até que comia bem. Cheguei ao ponto de começar a usar leggings debaixo da roupa para parecer mais gordinha. Digamos que foi um ato de desespero. Claro que muita gente reparou no meu método e mais claro ainda que me atiraram à cara o quão ridículo o que eu estava a fazer era (maioritariamente num tom maldoso). Isso tudo influenciou a minha personalidade e a forma de eu ser. Já era tímida e mais tímida fiquei. Saias? Estava fora de questão usá-las. As pernas era a parte do corpo de que eu menos gostava e não queria de maneira nenhuma expô-las.

Entretanto, um dia, estávamos a comemorar o Halloween na escola e eu, para variar, fui maquilhada. Para espanto meu, recebi elogios, coisa que nunca tinha acontecido até então. Eu vi a cara de espanto de algumas pessoas. Fiquei muito feliz. Foi aí que então comecei a usar maquilhagem e usava todos os dias, mesmo que dissessem que eu era muito novinha e ter ouvido constantemente a minha mãe dizer que só estava a estragar a minha pele. Eu estava sedenta pela aprovação dos outros.


Com o tempo, comecei a perceber que usar leggings afinal não resultava de todo e parei de fazer aquilo. “Mudei” ainda mais a minha maneira de ser quando entrei no secundário. Bem, na verdade não mudei mesmo, pelo menos no início, apenas fingi que tinha mais confiança e comecei a falar com colegas de escola que não conhecia de lado nenhum. A verdade é que fingi tanto que acho que a confiança acabou por se entranhar mesmo em mim. Não que me tenha tornado na rapariga mais confiante do mundo, mas a verdade é que comecei a aceitar melhor o meu corpo e a gostar mais dele. Quanto à maquilhagem, é sabido que não deixei de a usar, pelo contrário, que ainda a uso. Ganhei uma grande paixão por ela e comecei a usá-la porque gostava dela, não pelos outros.
Atualmente sinto-me bem comigo própria. É evidente que eu também tenho dias em que não me sinto tão bem e a autoestima está mais baixa. Há dias em que simplesmente estou mais triste com tudo e claro que influencia na forma como me vejo… É verdade, isso acontece, apesar de já não ser frequente, mas é normal. Eu não sou perfeita, ninguém é perfeito.


Com tudo isto, não quero que pensem que me estou a lamentar pelo o que já aconteceu no passado. Já passou. Mas é importante aqui que se perceba que até podemos ver e seguir alguma pessoa nas redes sociais por “ser” perfeita (o namorado perfeito, o corpo perfeito, o rabo perfeito, o cabelo perfeito, as roupas perfeitas, os filtros on point, etc, etc, etc), mas se calhar não é bem assim. Primeiro, a pessoa pode ser uma coisa em fotos e depois, na realidade, não é nada assim. Depois, ninguém tira uma foto “perfeita” logo à primeira, é preciso algum tempo, acreditem. E mais, provavelmente essa pessoa já passou por coisas na vida, se calhar sofre e não sabemos. As pessoas mostram apenas o que querem mostrar, não a realidade por completo. Eu digo isto porque sei da existência de pessoas que, por exemplo, aumentaram os lábios para se parecerem com a Kylie Jenner. Se calhar, daqui a uns anos, a moda será ter lábios finos. Muitas pessoas (atenção, não estou a dizer que são todas assim) que vão para o ginásio tirar fotos e fazer stories provavelmente não estão bem consigo mesmas. Provavelmente partilham porque querem atenção e aprovação por parte dos outros.

Não estou a dizer que as pessoas que se sentem mal com o seu corpo não devam fazer nada para mudar isso. Vão em frente, vão para o ginásio, mudem a alimentação, pintem o cabelo, as unhas, usem maquilhagem, façam o que sentirem que devem fazer para melhorar a autoestima, simplesmente devem fazer isso por si mesmas e não porque veem na internet determinadas coisas. A internet partilha muita coisa que não é real e as pessoas estão a criar esquemas mentais de aparência cada vez mais distorcidos e tanto as mulheres como os homens estão a sofrer bastante à conta disso.

E pronto, era isto.

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